terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mídia e ideologia política

Mídia - Entre a político e o eleitor

A mídia tem um papel importante para uma democracia plena, mas isso também configura um lado negativo porque é fato que a política tende a perder o seu conteúdo próprio de ideologia pura dos partidos políticos. Em toda a história, a mídia em contato com a política perde sua identidade como mediadora de interesses entre a sociedade e o Estado e passa a ocupar o lugar das mediações que seria próprio da política. Neste caso a mídia estabelece um novo papel nesse dialogo entre as partes.
A política está contaminada ou fadada à comunicação, porque em uma democracia é preciso à exposição das idéias puramente partidárias. Mas hoje os políticos têm que adequar seus discursos, não só aos temas propostos para os debates ou então entrevistas, mas sim às regras midiáticas ao marketing político e das pesquisas de opinião
Uma consequência dessa junção entre mídia e política é perda da ideologia de alguns partidos, e a reinvidicações e interesses. Assim como um fato da sociedade pós-moderna que demonstra aspectos de mistura de ideologias por culpa primeiramente da televisão na década de 50 e agora mais ainda com a internet. Isso fez gerar partidos políticos preparados para absorver as mudanças da mídia.
A hegemonia midiática das ultimas décadas resultou principalmente nos resultados das pesquisas que além de tudo corrompe a democracia, influenciando e inibindo eleitores e ideologias partidárias. E a sua influência passou a caracterizar uma nova democracia contaminada pela opinião incorporada pela mídia e ditadora de regras para os políticos e de voto para os eleitores.

Mídia, capitalismo e consumo supérfluo

Consumistas desde criança

Em datas especiais os pais enchem as lojas para atender os desejos dos filhos, que desde cedo sofrem influência do consumismo exercido pela mídia através da publicidade. Ninguém nasce consumista, mas as crianças em pleno desenvolvimento sofrem cada vez mais cedo com as graves consequências dos excessos do consumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce de tabaco e álcool, estresse familiar e a banalização da agressividade e violência, entre outras.

Para o mercado, a criança é uma poderosa influência nos processos de escolha de produtos. As crianças brasileiras influenciam 80% das decisões de compra de uma família. Com isso, a publicidade usa a TV como principal ferramenta para a persuasão do público infantil, já que no Brasil a criança passa em média cinco horas por dia assistindo à programação.

Além da publicidade veiculada na televisão, existem outros fatores que contribuem para o consumismo infantil. Como, por exemplo, produtos que sejam associados a personagens famosos, brindes, jogos e embalagens chamativas.

Uma forma de lidar com esse aspecto é a orientação que os pais e a escola podem oferecer o quanto antes, ensinando a consumir com consciência e responsabilidade, esclarecendo que o importante é a personalidade e não aquilo que se consome. Diante da insistência da criança é preciso firmeza, pois essa não sabe o que é melhor para ela. A orientação também é essencial, é importante ensinar para a criança que antes de gastar o dinheiro é necessário ganhá-lo.

Mídia e educação

Mídias sociais na educação

Já se foi a época que para se aprender algo era usados meios como a lousa e caderno. Hoje, com a ajuda da internet ficou mais fácil estudar, pesquisar, encontrar amigos e fazer novas amizades. O mundo virtual permite a convivência por meio das mídias sociais. E muitas pessoas fazem parte desse mundo.

O IBOPE divulgou uma pesquisa mostrando que 86% dos usuários de internet no Brasil estão presentes em comunidades virtuais.  O Orkut é a rede social mais acessada pelos brasileiros. As mídias sociais atingem a todos, não importando classes sociais e idades. Mas internet não serve apenas para diversão. Algumas professoras divulgam trabalhos e atividades realizadas em sala de aula outros ainda resistem. Em todo caso o professor precisa entender que a tecnologia não é um enfeite e se bem aplicada traz excelentes resultados.

A partir das mídias sociais, o internauta pode ter sua própria página virtual, por intermédio de sites de relacionamentos. No entanto, deve-se tomar alguns cuidados. A criança que fica o dia todo conectada à internet, fazendo dela sua única fonte de conhecimento e diversão, deixa de interagir com o mundo real, deixando de lado atividades que são importantes para o seu desenvolvimento educacional. Muitas vezes a internet serve como esconderijo, criando um personagem que não é real. Nela, qualquer um pode criar um mundo de ilusões que acaba enganando os outros e a si próprio.
           
De tudo isso é possível tirar uma conclusão: não há como fugir desta tecnologia. Ela está em todos os lugares e cada vez mais fará parte de nossas vidas. A internet é comparada com uma faca - com ela pode-se ter muitas utilidades na cozinha, mas quando usada de forma errada pode causar danos irreparáveis.

Mídia e reificação da mulher

Mulher comercializada

A mulher que antigamente não era retratada por nenhum meio. Privada de direitos e vista apenas como reprodutora. Hoje faz parte dos papos de boteco e até das pautas da mídia. A mulher lutou para ter esse direito, mas agora tem que conviver com outro problema, que é de se ver “coisificada” pela mídia e pela sociedade.

Virar um produto da mídia é coisa que algumas mulheres querem para si. Para alimentar a alto estima e ficarem famosas, se submetem a esta imagem por qualquer preço. Os valores femininos se vulgarizam e por culpa de algumas poucas mulheres que glorificam seus e corpos em troco de dinheiro e fama, da demanda masculina e da imposição da mídia, isso reduz a mulher em objeto, gerando assim um estereótipo na concepção de todos.

A publicidade é implacável no uso da mulher quando o publico alvo de seu produto são homens, é difícil algo que chame mais a atenção masculina do que uma mulher com pouca roupa. Ela também é usada em produtos voltados para o corpo e o bem-estar feminino, que almeja um corpo igual ao das atrizes. A modelo que devem seguir um padrão estético também é visto como um produto que é usado pela indústria da moda e que quando esses padrões não são preenchidos, este “produto” perde validade. Assim também acontece com as famosas vedetes contemporâneas que tomam conta de programas de TV, exibindo seus corpos perfeitos com um mínimo de roupa e dançando sensualmente para atingir a atenção do telespectador. Sem falar nas dançarinas de funk que são conhecidas como mulheres frutas. 

A mulher como uma mercadoria do capitalismo, assim como qualquer outro produto, tem que atingir a expectativa da demanda, se esse papel não é cumprido, o produto é descartado e substituído por outro mais atraente. E é assim que hoje vemos algumas das nossas vedetes saindo do meio televisivo e partindo para o lado das revistas masculinas e até mesmo para ramo do cinema pornográfico.

Diante dessa situação muitas mulheres se sentem ofendidas, mas não sabem o que fazer para mudar a imagem da mulher reificada perante a sociedade, porque muitas das mulheres, apesar de ir contra isso, ainda persistem em querer a mesma postura conseguida por outras. É o fato social de querer ser aceita e pertencer a um grupo, isso leva algumas mulheres até mesmo de idade, se inserir em modinhas e vulgaridades.   

Concluindo, a própria mulher pode a partir de reflexão dar o seu devido valor, e os homens podem ser seus aliados. Em algum tempo a mídia vai se dar conta que a demanda não quer mais consumir esse tipo de produto, ou seja a própria mulher. Isso é muito difícil de acontecer, mas toda mudança começa com cada um de nós, a mídia só pega carona.

Mídia e imperialismo cultural

Cultura importada

Várias nações pobres sofrem com o imperialismo cultural exercido por superpotencias mundiais. Que impoem valores, hábitos de consumo e influências culturais que tem a proposta  de se tornar uma padrão cultural. Muitas vezes, uma nação rica ao exercer o imperialismo cultural sobre outras nações, injeta sua cultura pré formatada em outra completamente diferente. Fazendo isso de maneira não coerciva e sim sutilmente usando a publicidade cuja maior ferramenta é a mídia.

A publicidade de produtos culturais costuma ser uma forte formadora de opinião e não se atenta apenas em conseguir implantar uma cultura, mas e conseguir consequêntemente uma eficiência mercadológica. Por isso é importante entender alguns instrumentos usados pela publicidade para captar a atenção, e principalmente gerar afinidade com o público.

A publicidade está cercada por diversos fatores estéticos e de ideais culturais; pequenos detalhes que fazem toda a diferença na hora de gerar identificação com o público, mas que poucos percebem esta intenção de persuasão publicitária, justamente porque todos aceitam esses artifícios culturais introduzidos, por ser uma coisa nova e interessante, e isso recebe pouca importância no contexto dessa prática impulsionadora do consumo.

Com isso as grandes nações apoiados pelas estratégias publicitárias e pelos conglomerados de comunicação, conseguem fazer valer sua ideologia perante as nações mais fracas, não em termos culturais, mas em termos de eficiência mercadológica e de meios de comunicação de massa. É a chamada “industria cultural” que transforma a cultura em mercadoria.

Mídia e racismo

A fábrica do preconceito 

A mídia tem um poder de influência muito grande nos dias de hoje. Ela pode ditar uma nova forma de exclusão social, como por exemplo, a discriminação de negros, gays, mulheres, nordestinos, entre outros grupos, através de imagens estereotipadas e destorcidas. Ela apresenta esses grupos dessa forma, com o argumento de legitimação das diferenças, e às transformam em desigualdades, é isso que nos leva a ver o outro como um estranho, separando-o do resto da sociedade.

É muito difícil o racismo fazer parte dos noticiários, apesar de existir com grande freqüência no Brasil. Os negros, por exemplo, representam quase a metade da população brasileira, mas ainda sofrem com vários tipos de preconceitos e são privados de espaços e poder. A mulher quando não é vitima de machismo a todo o momento por parte de declarações infelizes, é vista como meio de entretenimento com apelo sexual. Os gays que são bombardeados por religiosos de várias crenças. Todos esses grupos são mostrados de maneira estereotipada pelo discurso da mídia.

Além das mídias chamadas tradicionais a internet chega com toda força no sentido de ajudar no aumento de práticas discriminatórias. Pelo seu aspecto livre e praticamente sem controle. Faz com que o racismo e principalmente a xenofobia ganhe notoriedade. Como no caso da estudante de direito Mayara Petruso que declarou em seu twitter “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado”, pelo menos neste caso ela foi processada pela Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco. Compreender o imaginário social que se alimenta desses discursos preconceituosos e taxativos, seria uma forma de reconhecermos que essa discrepância existe e precisa ser erradicada.

Em alguns poucos casos a mídia trata da luta contra o racismo, a discriminação racial e xenofobia, mas ainda está longe do ideal para a erradicação desse problema, que pra muitos, principalmente os formadores de opinião ou grandes veículos de comunicação que continuam negligenciando o fato. Sobre essas questões é preciso ampliar o compromisso de um novo enfoque na luta contra o racismo e outras formas de preconceitos.

Mídia e a glamourização do sexo

A nova mulher na mídia

As mulheres se livraram do senso comum de que elas não gostam de sexo. Hoje assim como os homens, elas também querem pouco compromisso e preferem sexo casual, além de que, pra elas, o tema sexo já não está mais associado com uma relação amorosa. A mulher está cada vez mais independente. Desde a revolução feminista ela vem ganhando cada vez mais notoriedade e aspectos parecidos com os direitos masculinos.

E na contra mão disso, os homens estão cada vez mais próximo do universo feminino. Hoje as mulheres disputam vagas no mercado de trabalho de igual para igual, conquistaram liberdade para exercer sua sexualidade livremente e conquistaram o direito de tomar iniciativa. Em quanto os homens partiram para o metrosexualismo, que é cuidar da aparência, coisa que macho nenhum fazia antigamente. 

Apesar de terem conquistado muitos direitos, algumas delas ainda estão apegadas aos antigos modelos românticos de relacionamento. Apesar de todo esse modernismo as mulheres ainda estão à procura da figura do príncipe encantado. Assim como os homens que além de orgulhos e machistas, estão sempre a procura da “pessoa certa”.

Todas essas mudanças na mulher moderna foram acompanhadas pela mídia que percebeu essa mudança de comportamento e também a formação de um nicho de mercado, que antes não existia pela privação que sofriam as mulheres. É facilmente percebida na TV uma programação voltada para o publico feminino, que se vê retratada como damas do sexo. Um exemplo disso é a série da Rede Globo, “As cariocas”, que cuja linha de repertório é a glamorização do sexo.

A mídia retrata fatos sociais de forma estereotipadas, mas retrata a de forma como as que acontecem. Todas as mudanças na sociedade são acompanhadas pela mídia, assim como aconteceu com a revolução feminista, e levou tempo para que essa concepção atual que vemos da mulher em relação ao sexo e outros assuntos. Também leva muito tempo para fazer uma contra-revolução já que esse pensamento está enraizado na própria mulher.

Mídia, esporte e entretenimento

Esporte e dinheiro

A mídia dissemina o esporte para a sociedade como um espetáculo, como possibilidade de ascensão social e econômica, como mercadoria e consumo. O esporte se mantém através da mídia, e não está envolvida apenas na sua transmissão, mas também na produção, nos games e na publicidade entorno dos eventos esportivos.

Atualmente, no Brasil e em outros países pobres, as pessoas não dispõem de oportunidades para melhoria da qualidade de vida. E a mídia aproveita dessa situação para mostrar à sociedade que o esporte é uma forma rápida, sem muito esforço da tão sonhada oportunidade de melhoria de vida. Fazendo isso, a mídia cria uma geração de gente passiva, que não pensa e almeja uma realidade que não é a sua realidade.

Pegamos por exemplo o futebol brasileiro. Que de tão popular no país promove ascensão a poucos atletas. Muitos jogadores amadores dos pequenos clubes do país e poucos os que conseguem vaga em um time profissional. Menos ainda os que conseguirão se tronar famosos e ricos, e raras exceções são aqueles que conseguem jogar em clubes europeus ou na seleção brasileira.

As transações milionárias, e a publicidade voltada para esses poucos jogadores, faz com que muitos jovens desejem este sonho, a custa de qualquer coisa, até mesmo dos estudos. Que no Brasil já virou clichê dizer que jogador de futebol não tem o mínimo de educação. No entanto, estes certamente não conseguirão o mesmo sucesso, mas continuarão ilusoriamente tentando, e o pior, sem estudo para continuar uma carreira em outro segmento. E a mídia continua mostrando que todas as pessoas têm possibilidades iguais de conseguir esse sucesso.

Mídia e imposição estética

Vende-se beleza 

A sociedade vive hoje uma intensificação do culto ao corpo, em que as pessoas se preocupam muito com imagem e a estética. Essa prática é hoje uma preocupação geral, que não está atenta a uma ou outra classe social ou faixa etária, mas sim um fato generalizado na sociedade, apoiada na questão estética, e da preocupação com a saúde.

Essa preocupação com o corpo, com a dieta alimentar, vestuário, higiene, cuidados com a beleza etc. Se mostrou mais atuante a partir do processo de massificação das mídias, onde o corpo ganha mais espaço. A mídia ajudou a criar novos padrões de aparência e beleza, difundindo novos valores da cultura de consumo e projetando imagens de estilos de vida glamorosos para as pessoas. As peças publicitárias, novelas, filmes, também nos leva a uma necessidade de eterna juventude, e do corpo ideal. Nesse sentido, a mídia tem contribuído para isso.

A mídia tem se dedicado cada vez mais em apresentar novidades em setores de cosméticos, de alimentação e vestuário. Gerando assim um consumismo desenfreado, desenvolvendo modelos de roupas padronizadas, lançando novos cremes e produtos para eliminar as formas indesejáveis entre outros produtos. Essas propagandas estão o tempo todo tentando vender coisas que não se conseguem por sucesso próprio.

Precisamos manter os cuidados com o corpo e devemos ter uma atenção para a nossa saúde. Mas esses cuidados não devem ser de forma intensa como se tem apresentado ultimamente. Devemos sempre respeitar os limites do nosso corpo e sermos críticos em relação ao que a mídia nos apresenta como sendo padrão a ser seguido.